"Não muito tempo depois da reunião da Grande Confraria Cósmica em torno do Projeto Terras do Sul, o Mestre Aramu-Muru convocou uma assembleia de espíritos de ex-atlantes,  a fim de traçar diretrizes para o novo projeto nas terras do Brasil.
Estava se encerrando um ciclo planetário de cerca de 40.000 anos, iniciado na Atlântida, com a encarnação em massa de espíritos exilados de outros ores, como os capelinos. Daquele canteiro inicial, que espalhou sementes para todos os quadrantes do planeta (as migrações atlantes) um punhado de mudas foi transplantado para a América do Sul. Assim se ligou uma extensa coletividade de seres aos destinos espirituais da terra brasileira.
Sua raça física se dispersou e entrou em decadência, deixando uma semente material nos troncos indígenas brasileiros. Mas suas almas continuaram renascendo sob muitos céus. Cresceram espiritualmente. E agora era chegado o momento de entregarem a esta terra a herança espiritual da velha pátria atlante.
A magna assembleia reuniu, no Plano Astral do Baratzil, um grande grupo desses espíritos, ligados por laços milenares.
O povo da Terra das Araras Vermelhas tinha a frente o amado rei Ay-Mhoré VII. Trajava simples túnica curta creme, com desenhos dourados, a larga trança negra descendo sobre o ombro esquerdo. Dispensando antigos adornos como o magnifico cocar de penas brancas descendo até os pés, que o coroava outrora em ocasiões cerimoniais - a nobreza de sua alma, que outrora renunciara ao próprio trono pela salvação de seu povo, bastava para outorgar-lhe a autêntica realeza espiritual.
A seu lado, sua alma companheira, numa túnica de cor solar bem clara, com os mesmos olhos azuis-acinzentados e a longa trança juntando nas espáduas os cabelos cor de mel, de quando era, na Terra das Araras, a Suprema sacerdotisa da Dança do Templo do Vento.
Junto deles, em semicírculo, os Príncipes regentes das cidades da antiga colônia atlante: Anhanguera, o fiel amigo que escolheu morrer com ele; Urubatan, Arary-Boya, Jatay, Tupyara, Tupanguera, Javaré e Ubiraci, em túnicas curtas com desenhos dourados ou prateados, nos pes sandálias amarradas ao estilo que os gregos herdaram.
Ali se encontravam também, numa túnica clara de mago, com capuz, Dezan, o antigo Sumo-Sacerdote. E Azy-Mhalá, que fora maga na floresta, num longo traje rosa translúcido. A rainha Bartyra trazia ainda sua capa de penas de arara, brancas e vermelhas, que contrastava com seus olhos e cabelos muito negros. Outros companheiros da Terra das Araras completavam a assembleia.
Junto deles, Thamataê, o Solitário da Montanha Azul, que outrora havia apontado o caminho de salvação para aquele povo, e seu irmão Kalamy - ambos filhos do planeta Vênus, que vieram unir seu destino espiritual ao deste planeta.
Presente ate o velho mago Ozambêbe, que "desertara" para o lado da luz.
Um outro contingente de ex-atlantes, compostos por magos, alquimistas, cabalistas, mestres curadores, astrólogos, etc., com passagem por diversos povos antigos do planeta, inclusive africanos, completavam o plenário dessa reunião, ocorrida ao crepúsculo do século dezenove.
O Mestre Aramu-Muru transmitiu à assembleia as deliberações do augusto Conselho da Grande Fraternidade Cósmica, o Projeto Terras do Sul para o Brasil, berço da nova civilização fraterna, igualitária e espiritual do Terceiro Milênio. Para tanto, estavam ali a fim de esquematizar a missão de cada um dentro do novo culto que iria ser criado, uma nova forma religiosa que seria o espelho do psiquismo brasileiro, e que mais tarde iria desaguar numa grande religião de massas da Nova Era. Os Dirigentes Planetários haviam deliberado a inserção, nesse novo culto, da velha Sabedoria milenar, da magia atlante, que estava no momento de retornar à consciência coletiva.
O mediunismo seria a grande ferramenta da nova religião, e fazia-se necessário Aa formação de um verdadeiro exército de perfeita organização, com dois contingentes: um na matéria, como medianeiros, e outro no Plano Invisível, trabalhando como Chefes, Guias e Protetores.
Assim a velha magia branca dos atlantes seria novamente posta a serviço da humanidade, num formato simples, acessível ao grande público, democratizada e de braços abertos para os homens sofredores, como a mensagem do Cristo Jesus.
Para operar no Plano Espiritual, ofereceram-se então Ay-Mhoré e os príncipes da Terra das Araras, mais o grande contingente de magos. Iriam trabalhar dentro das sete vibrações cósmicas, ou Linhas da Aumpram, conhecidas milenarmente, e no passado denominadas Purushas - na corruptela, Orixás. Foram designados um a um, alguns no posto de Chefes de Legião, outros de Chefes de Falange. A organização teria que ser impecável, como num exército de guerreiros da Luz, pela imensa quantidade de seres que iriam se agregar aos poucos, com muita diversidade de grau evolutivo. Além disso, a batalha de amor contra as sombras não poderia admitir falhas ou brechas. Foram sendo chamados e designados um a um os bravos guerreiros:
- Para a Linha de Oxalá, a vibração do Sol: o rei Ay-Mhoré e o Príncipe Urubatan! - eles se apresentaram à frente - Nós trabalhos, vocês serão conhecidos como Caboclo Aimoré e Caboclo Urubatan!
- Para a Linha de Ogum, a vibração de Marte: os príncipes Anhanguera e Arary-Bhoya! - eles se adiantaram - De agora em diante, Caboclo Anhanguera e Caboclo Araribóia!
- Para a Linha de Oxossi, a vibração de Vênus: os príncipes Jatay e Tupyara, e o Sumo Sacerdote Tabajara! - eles deram um passo à frente - Surgiram o Caboclo Jataí e o Caboclo Tupiara; eo Sumo Sacerdote do povo de Zac, diante de quem todos se curvaram, saiu dali transformado no Caboclo Tabajara.
- Para a Linha de Xangô, a vibração de Júpiter, o príncipe Tupanguera! - e ele se apresentou para ser rebatizado de Caboclo Tupanguera.
- Para a Linha de Iemanjá (Ana-Maya), a vibração da Lua, o príncipe Javaré - e mais um Caboclo "nasceu".
- Para a Linha de Yori, a vibração de Mercúrio, o príncipe Ubiraci! - e ele saiu transformado no Caboclo Ubiraci.
 Todos os antigos príncipes foram avisados de que eles e seus comandados passariam a ser vistos, no culto futuro, como simples indígenas brasileiros, mesmo quando famosos médicos, sacerdotes e cientistas se incorporassem a suas fileiras, para trabalhar na caridade anônima.
- Haja pena e cocar para tanto índio! - murmurou divertido um dos comandados de Ay-Mhoré, um jovem médico grego de túnica branca, para seu companheiro, que fora na ultima encarnação um médico francês e ocultista. Ambos "metamorfoseados" em caboclos, também...
Completou-se a chamada:
- Para Linha de Yorymá, a vibração de Saturno, os magos e curadores - e Dezan, o antigo Sumo Sacerdote da Terra das Araras, avançou junto com um grupo de antigos e graduados magos.
Com um sorriso divertido, eles se prontificaram a ser "crismados" de Pai Tomé, Pai Joaquim, Vovó Maria Conga, Pai João, Pai congo, Pai José de Aruanda, Pai Benedito, nos postos de Chefes de Legião.
- Quem diria - murmurou um dos "flecheiros" recentemente rebatizados, para seu "colega de penas" - ambos ex-generais atlantes - Quem diria que uma singela "pretinha-velha" encobre um espírito vindo de Sirius, que um desses "pretos-velhos" foi um dos mais célebres faraós da História, outro um famoso filósofo da velha Grécia...
- E quem vai saber que o Caboclo Mata-Virgem é aquele famoso jesuíta do Brasil-Colônia? - e uma risadinha irreverente foi trocada pelos dois, em tom baixo e discreto.
Por último, apresentaram-se os sábios Iniciados de antigos templos, que iriam trabalhar na Linha de Yori. Não se trata de espíritos infantis, mas traz o sentido de "nascido de novo", "aquele que morreu para a vida material", característico do Iniciado. Iriam constituir o terceiro lado do triângulo fluídico e que trabalharia todo o grade conjunto de espíritos: o da Pureza, o da Simplicidade e o da Humildade, ou Criança, Caboclos e Pretos-Velhos.
Enquanto assim se desenrolava a  histórica reunião, uma ex-sacerdotiza da Terra das Araras, vestida de lilás, voltou-se para seu vizinho, ex-mago persa, mas que guardava a aparência morena, alta e algo imponente, de uma existência como sacerdote de uma tribo do Congo, e sussurrou:
- Mas como essa nova crença poderá se acolhida pelo povo em geral, com tantas nuances de Ocultismo e de magia?
- O povo brasileiro foi preparado para isso.
- Foi?
- Claro! "Eles" - e o mago apontou como polegar para o alto, numa alusão aos Maiorais Planetários - já misturaram os ingredientes do bolo com uma pitada de pó mágico - e sorriu, divertido, iluminando com os dentes branquíssimos a pele morena e os olhos inteligentes. E como a sacerdotisa fizesse um ar de "como assim", continuou, sempre em tom sussurrante:
- O sangue atlante e a herança de sua magia não ficaram impregnados no psiquismo dos brasileiros, através dos indígenas?
A sacerdotisa acenou afirmativamente.
- Pois então? Primeira pitada mágica. Depois veio a outra - e fez uma pausa de suspense para enfatizar. A sacerdotisa o fitava interessada - A outra foi a herança do meu
povo escravizado. Veja: eles traziam as práticas mágicas, com as forças da natureza, as plantas curadoras, o intercâmbio com o Além. Faziam e "desmanchavam" trabalhos de magia. Perseguidos em suas crenças, disfarçaram tudo no sincretismo com a religião dos brancos - e continuaram trabalhando. No início, só para curar e socorrer os seus irmãos, e se proteger da crueldade dos senhores, ou se vingar deles. As Deus escreve direto por linhas tortas. Enquanto grandes caras pessoais e coletivos se queimavam na tristeza que foi a escravatura, uma outra trama se fazia.
- Uma outra trama?
- Sim. A escravatura foi como o avesso de um bordado - muito feio e emaranhado. Mas o que importa é o que estava sendo desenhado do outro lado - e o mago sorriu novamente, um amplo sorriso que iluminou até sua túnica amarelo-clara com filetes prateados.
- E o que estava sendo desenhado?
- Veja bem - e a fisionomia dele se tornou séria - Aos poucos, os pais-velhos e as pretas-velhas foram começando a atender também aos próprios brancos. Era o preto-velho curando a doença do sinhô, que médico nenhum resolvia, ou consultando os búzios para sinhazinha; era a preta-velha benzendo as crianças com quebranto, curando com suas ervas. Eram eles que desmanchavam os feitiços ou afastavam os "maus espíritos". E o povo aqui foi aprendendo a acreditar e a confiar no auxílio do Além, no dia-a-dia de suas idas. Isso ajudou muito a preparar o povo brasileiro para essa familiaridade com o invisível que faz dele um povo único no planeta.
- Além disso - continuou, depois de um olhar ao redor, para a colorida assembleia astral - a mistura dessas duas raças, muito sensitivas, trouxe uma grande sensibilização psíquica para a raça brasileira. E estava pronto o bolo - um brilho sorridente no olhar sublinhou as palavras do antigo mago.
A sacerdotisa avaliou pensativamente o companheiro.
- Você também foi um deles, não? - indagou finalmente.
- Fui. Agora vou trabalhar de novo. Meu povo agora é todo o povo desta terra, que eu amo, porque aqui consegui o que mais precisava para minha consciência: a humildade. Sem ela não se vai longe, mesmo com o brilho do intelecto, não é? Agora não sou mais Jatar, o Mago: vou ser Pai Joaquim do Congo, o preto-velho. Logo você vai me encontrar "baixando" nos novos templos por ai - e riu baixinho, um riso divertido e suave.
Mestre Aramu-Muru recomeçava a falar.
- A concretização do grande plano - informou - teria inicio na primeira década do século vinte. Alguém seria escolhido para dar inicio ao projeto entre os homens, através de um médium sua energia especial seria marcante para abrir o caminho no plano terrestre - e Aramu- Muru voltou-se para Thamataê de Venus, o sacerdote ancestral fundador de Ophir e Ibez de Paititi, o Solitário da Montanha Azul que outrora ligara seu destino ao da Terra das Estrelas. Como percursor do conjunto de trabalho distribuído nas sete Linhas de energia, ele adotaria o nome de Caboclo das Sete Encruzilhadas.
- O médium que irá te servir inicialmente como aparelho já foi escolhido. Está encarnado no Brasil, como o nome de Zélio. Com ele tiveste uma estreita ligação no passado, o que facilitará bastante a mecânica da incorporação, devido aos laços de simpatia e afinidade. Reconhecerás nele teu Grande Conselheiro Schua-Ram.
Kalami de Vênus dirigiu-se então ao Mestre.
- Gostaria também, Mestre, de poder começar meu trabalho junto à humanidade, e se fosse permitido, trabalhar com meu irmão na Aumpram. Dedicaria meu labor a todos os trabalhos de magia.
- Já que é de tua livre escolha, poderá trabalhar com os Elementais da Magia, os Agentes Mágicos Universais. Escolheras um deles para te servir de veículo. Poderás atuar, como teu irmão Thamataê, na Linha de Oxalá, das vibrações solares. Entretanto, aviso-te, esses seres que bem conheces, não incorporantes, serão pouco compreendidos pelos homens, que acabarão por denomina-los de Exús.
A seguir o Mestre informou que outra entidade iria preceder, no plano material, a chegada de Thamataê - o Caboclo das Sete Encruzilhadas - como uma espécie de batedor, preparando o caminho. Iria também utilizar um médium na matéria, e daria o nome de Caboclo Curugussú.
- Sua missão é espinhosa, e enfrentará toda sorte de incompreensões e discriminação. Um antigo mago das sombras, que voltou para a Luz, escolheu, para queimar completamente seu mau carma, dedicar-se a esse serviço pioneiro. Seu nome no passado foi Ozambêbe - concluiu o Mestre, para admiração de todos, indicando e ex-mago.
Conclui-se a assembleia. Sob as vibrações de todos os antigos filhos da Terra das Araras Vermelhas, a herança espiritual da velha Atlântida iria renascer trazendo sua contribuição sua contribuição para o bem da humanidade.
Estava sacramentado, no Plano Espiritual, o nascimento da Umbanda nas terras do Brasil."
História da umbanda - parte 1
 Hilion
Babaji
Payê-Suman
Tupanguera
Tupayba
Ay-Mhore 7
Aramu-Muru
Tabajara
Kalami
Thamataê
Nayade
Ravi
Ararype
Thu-ran
Narayama
Turyassu
Ityrapuan
Apoema
Itaperuna
Shen-han
Elide
Jatay
Ilustrações retiradas do livro "Terra dos Ay-MHorés - a saga dos últimos atlantes na Terra das Estrelas, o Baratzil".
Texto abaixo retirado do livro "Baratzil, a Terra das Estrelas" onde é contada a história original da umbanda.
Leia também os livros "Erg - o 10º planeta - a pré história espiritual da humanidade" e "Umbanda um novo olhar - o que todo espiritualista gostaria de saber",  onde são mostrados detalhes desta saga espiritual.
Mostramos abaixo foto da casa onde por alguns anos fucionou a Tenda Espírita Nossa Senhora da Piedade, na Rua Floriano Peixoto, 30 - distrito de Neves, em São Gonçalo, no Rio de Janeiro. Essa casa teria sido demolida em 2011.
Todavia, a Tenda Nsa. Senhora da Piedade está em atividade até hoje na Rua José
 Ribamar P. Ramos, 271 - bairro de Boca do Mato, em Cachoeiras de Macacu, no interior do Rio de Janeiro.  Foi também dirigida pela neta de Zélio, Lygia Cunha.
Fotos: Facebook Tenda Nsa. Senhora da Piedade
A história da umbanda começa quando a Grande Confraria Cósmica (com a presença de Aramu-muru, Sa-Hor e Sanat Kumara, entre outros) elabora o Projeto Terras do Sul, traçando sobre o continente
 triangulos fluídicos que possibilitariam, no futuro, a reintrodução da ancestral Aumpram no planeta. Entidades que já participavam da evolução desta humanidade foram convocados para uma grande assembléia onde as diretrizes
 do projeto são traçadas.
Foto com trabalho de mesa branca (com a corrente firmada em volta) dirigida pelo médium Zélio, que era como o Caboclo das 7 Encruzilhadas se manifestava. Observe o médium já envelhecido e o trabalho decorrendo com  tranquilidade e ausência de procedimentos ou materiais de ritos africanistas,
 como atabaques, charutos, fantasias, etc.
A partir daí, no plano físico do Baratzil, os eventos se sucedem.
 Acontecem as primeiras manifestações do caboclo das 7 Encruzilhadas.
E a história continua... Clique no logo e saiba mais!