A Divina Mediadora
"A luz da verdadeira religiosidade provisoriamente está compartimentada na Terra. Iludem-se os filhos pelo falso brilho e se consideram "salvos", aprisionados nas religiões que praticam. Isso não é muito diferente das mariposas que eram atraídas cegamente pela luminosidade das lamparinas nas varandas da casa do sinhô. Facilmente se afogavam no azeite ou caiam ao solo pela oleosidade que paralisava suas delicadas asas, sendo rapidamente devoradas pelos répteis rastejantes na noite que encobria-nos, escravos exaustos.
Saibam que no passado de grande opressão aos cultos ancestrais, essa preta velha, tristemente, ficava sentada na entrada da senzala. Ao fundo escutava gemidos de dores pelas chibatadas nos dorsos nus dos negros "preguiçosos". Refletia que se não houvesse perseguições religiosas e se cada um dos manos brancos procurassem o caminho mais desejável para apaziguar a índole espiritual oprimida que os afligia - não somente quando seus filhos ou eles mesmos adoeciam, ocasiões que sem jeito às escondidas e com pouca modéstia se achegavam pedindo a cura aos intermediários dos Orixás -, não haveria tanto conflito até os dias de hoje.
A escada que leva ao Pai não é feita de um único degrau, mas da união de todos, que devem ser transpostos para se chegar ao topo, à porta de entrada da libertação dos sofrimentos impostos pelo esmeril das vidas físicas sucessivas.
As religiões, as doutrinas, as crenças, os cultos e os ritos; as raças, os sexos, os idiomas, as riquezas e as pobrezas; a saúde e as doenças; as alegrias e as dores; todas as diferenças psíquicas e biológicas, as peculiaridades características das formas que animam as personalidades mortais, nada mais são que ilusórios degraus que devem ser superados a caminho da real escada evolutiva do espírito imortal.
A Umbanda passa ao longe de se mostrar como o único caminho ou mais um tratado doutrinário definitivo. Serve como mediadora na Terra para auxiliar os que buscam a união com o Divino. É sua missão ser instrumento iluminativo e despertar o Cristo interno, mostrando que está dentro de cada um dos filhos encontrar o caminho, a verdade e a vida. Molda-se à diversidade das consciências e é ativa e dinâmica em sua parte visível terrena, estável e firme no espaço oculto. Nessa abençoada mistura todos estão evoluindo.
Graças a Oxalá, a Umbanda não é mais uma lamparina que afoga e imobiliza aos que buscam a iluminação espiritual."
Vovó Maria Conga.
Obs. A Divina Mediadora é um livreto de Roger Feraudy (infelizmente esgotado no momento - estamos trabalhando para que seja reeditado) - a FGC apresenta o ritual da Divina Mediadora - Mestre Maria - na Corrente Azul da Mãe do Mundo, como o primeiro trabalho esotérico que um grupo organizado e coeso de umbanda poderá realizar.
"A Mãe do Mundo, através da sua divina mediadora, Mestre Maria, nesse momento apocalíptico que vivemos, está presente no coração de todos os homens, procurando, com seu imenso amor, tentar salvar a espécie humana do abismo que ela própria construiu para sua aniquilação como raça, e consequentemente, o meio ambiente que habita. Procuraremos mostrar como é realizado este importante trabalho, de que maneira é feito, qual a origem desse culto e suas reais finalidades e as consequência benéficas que poderão advir da sintonia vibratória com esse Excelso Ser." Roger Feraudy
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